
Em um ambiente marcado pela fé, pelo acolhimento espiritual e pela esperança, a manhã do último sábado (25/04) foi de emoção e reencontros simbólicos na sede do bairro Liberdade, na Seara de Luz, em Cuiabá/MT. Após mais de quatro horas de trabalho mediúnico, o médium Fabrício Guerra psicografou e entregou 11 cartas, mensagens que, para muitos, representaram mais do que palavras: foram respostas aguardadas por anos.
Entre os relatos mais marcantes, muitas mensagens vieram de filhos para suas mães, algumas delas como um verdadeiro presente antecipado pelo Dia das Mães.

Foi o caso de Thaís Campos, que viveu um momento que descreve como inesquecível. Ela recebeu uma carta do filho Pedro Sampaio, que faleceu ainda bebê, com apenas um mês de vida.
“Eu aguardava essa carta há quatro anos. No domingo ele faria cinco anos, então foi como um presente de aniversário para mim”, contou, emocionada. “Eu sempre pedia para ouvir ‘mamãe’, e na carta veio escrito quatro vezes essa palavra. Foi maravilhoso.”
Thaís já acompanhava o trabalho do Instituto Amélia Rodrigues e soube que o evento aconteceria na Seara. Era a primeira vez na casa.
“Eu não conhecia ainda, mas achei o ambiente muito acolhedor. Foi uma experiência maravilhosa”.

Outro momento de forte emoção foi vivido por Adir Pedrosa de Almeida, que recebeu uma mensagem do filho Denis Aurélio, falecido aos 30 anos de idade. Desde cedo, ela já sentia que algo especial aconteceria.
“Quando saí de casa, senti um cheiro de flor de laranjeira. Para mim, era ele avisando que estaria presente”, relatou. Durante o trabalho mediúnico, a sensação se intensificou. “Eu senti a mão dele no meu pescoço. A minha conexão com ele sempre foi pelo cheiro.”
A carta trouxe respostas que ela buscava há tempos.
“Eu perguntei onde eles estavam, ele e minha mãe, e ele disse que vivem em uma colônia espiritual. Isso me trouxe conforto. A gente sabe que eles estão bem, mas quem fica aqui ainda sente falta do abraço, do cheiro, da presença”, afirmou. “Foi um presente de Dia das Mães.”

Para Aparecida Pires Machado, a experiência também foi marcada por significado e aprendizado. Frequentadora da casa, ela já havia buscado respostas em outros lugares, inclusive em Brasília, mas foi naquele sábado que recebeu, pela primeira vez, uma carta da filha, Maria Aparecida Machado Castro, que faleceu há seis anos, aos 20, vítima da Covid-19.
“Quando isso acontece na vida da gente, é um aprendizado. Eu vim em busca de acolhimento e prece”, disse. A data próxima ao aniversário do outro filho também trouxe um simbolismo especial.
“Minha filha era muito ligada ao irmão. Acho que isso também contribuiu para que ela se manifestasse”, contou.
A mensagem recebida tocou profundamente uma dor silenciosa.
“Eu me sinto sozinha em casa, e ela escreveu: ‘mãe, não se sinta sozinha’. Isso mostra que ela me observa, que sabe o que eu sinto.”
Com serenidade, Aparecida deixou uma reflexão para quem vive a mesma espera:
“Tudo é um processo. A manifestação não acontece no nosso tempo, mas no tempo da espiritualidade. É preciso perseverar.”
Além das mães, outras cartas também trouxeram mensagens de pais para filhos e entre diferentes entes queridos.

É o caso de Rosana Vargas, jornalista e voluntária na Seara de Luz. No momento em que transmitia ao vivo a leitura das cartas para as redes sociais da entidade, ouviu o nome de seu pai, Ruy Vargas Fortes, falecido em 2017, e, na sequência, o seu. “Joguei o celular para o alto, passei para a Carol, que trabalha conosco, e fui parar nos braços e no acolhimento do Fabrício Guerra. Não me contive, acho que fui um pouco escandalosa”, conta entre risos.
Ela subiu ao palco para ouvir a leitura da carta com sua irmã, Léa Vargas, que tinha vindo de Cáceres para o evento. Logo no início da leitura da mensagem, mais uma surpresa, pois trazia um recado de seu marido, falecido em 2022: ‘Filha, estamos aqui bem e em paz. Está tudo bem aqui minha filha, e eu tenho também muita saudade de vocês. Tem um moço aqui doido para falar, Aylton está aqui e manda um beijo e veio para dizer que está em paz, estamos bem e cada dia mais vivos e ativos”, no trecho inicial da carta.
“Quando ele disse que era Aylton, dei outro grito: é meu marido! Realmente uma grande surpresa, pois é difícil imaginar receber a mensagem de um ente querido, quanto mais dos dois que solicitei, de forma separada. Além disso, é difícil acreditar que você receberá uma das 11 cartas escritas, sendo que mais de 600 pessoas aguardavam”, relata Rosana com os olhos marejados e muita emoção.
Cada leitura foi acompanhada de emoção intensa, lágrimas que não eram apenas de saudade, mas também de alívio. Naquele espaço, onde o silêncio muitas vezes dizia mais do que palavras, as cartas psicografadas se transformaram em pontes entre a dor e o consolo. Para quem recebeu, ficou a sensação de que o amor continua, mesmo quando a presença já não é visível.

Após a entrega das cartas, o médium Fabrício Guerra refletiu sobre o impacto das mensagens de acalento e destacou a importância da “responsabilidade da divisão”.
“Sempre trago no coração o conceito de dividir o que buscamos com o próximo. Espero que todos saiam daqui com esse compromisso: o de dedicar amor, carinho e esforço tanto à própria transformação quanto ao bem-estar dos demais”, afirmou o médium.












