Compreender para Acolher: Seara de Luz e Instituto Aquarela promovem palestra sobre diagnóstico e direitos no Autismo

Evento voltado a famílias em vulnerabilidade social de Cuiabá desmistifica o Transtorno do Espectro Autista (TEA), detalha caminhos para o diagnóstico precoce e orienta sobre o acesso a políticas públicas e tratamentos.
Levando informação para todos

No último sábado, dia 13 de junho, a Seara de Luz realizou uma palestra especial em parceria com o Instituto Aquarela para orientar e acolher moradores de bairros carentes de Cuiabá que convivem com o autismo. O evento teve como lema “Compreender para Acolher” e buscou trazer informação simples e acolhimento para mais de 700 famílias atendidas pela instituição.

O autismo é a realidade de muitos lares, mas a falta de conhecimento sobre como identificar os sinais e como buscar os direitos ainda é muito grande. Especialistas em psicologia e terapia ocupacional participaram do encontro para mostrar que, com apoio e carinho, é possível superar as barreiras.

Elizabeth, Tatiane e Vivian, do Instituto Aquarela

O Desafio e o Apoio às Mães

Tatiane Costa dos Santos, terapeuta ocupacional e diretora do Instituto Aquarela, destacou que o diagnóstico não deve ser visto como o fim da linha. Sendo também mãe atípica, ela deixou uma mensagem de força:

“Eu diria que não é fácil, eu te entendo e acolho, mas é possível seguir apesar das dificuldades. Às vezes a mãe acha que é o fim, mas não é. É possível buscar os direitos e se fortalecer umas com as outras em grupos de apoio. Juntas, as mães conseguem alcançar muito mais avanços.”

Conhececimento para entender e acolher

O Caminho para Conseguir Ajuda

Para as mães que estão perdidas e notam atrasos no desenvolvimento dos filhos (como demora para falar, falta de contato visual ou dificuldades para interagir), o primeiro passo prático é procurar o pediatra no posto de saúde (rede pública).

Esse médico deve encaminhar a criança para um especialista (neuropediatra) que, junto com psicólogos e terapeutas, fechará o diagnóstico oficial. Com esse laudo em mãos, a família ganha o direito garantido por lei de ter:

  • Atendimento médico e terapias;
  • Auxílio financeiro e benefícios sociais;
  • Acompanhante especializado na escola.
Buscar os direitos é possível

Fique atento: Se o município ou o estado não oferecer o tratamento necessário na rede pública, a orientação das especialistas é procurar a Procuradoria-Geral ou a Defensoria Pública para entrar com uma ação na Justiça. Por lei, a saúde é um direito e o governo pode ser obrigado a pagar o tratamento em clínicas particulares caso não tenha vagas na rede pública.

Vivian Conceição Paula da Silva, psicóloga e diretora clínica do Instituto Aquarela, ressaltou que o TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por dificuldades persistentes na comunicação social e pela presença de padrões restritos e repetitivos de comportamento, manifestados desde os primeiros anos de vida. “Não é doença, e não possui cura”, destacando a importância da neuroplasticidade cerebral na intervenção precoce.

Complementando, Elizabeth Mendes Machado, Terapeuta Ocupacional do Instituto Aquarela, explica que a terapia avalia o que impede a criança de realizar as Atividades de Vida Diária (AVDs), como alimentação, banho e vestuário, além de estruturar o brincar, a participação escolar e as dinâmicas de inclusão social. Por meio do mapeamento sensorial (Sensory Radar), o profissional identifica sinais de desregulação — como hipersensibilidade ou hipossensibilidade a estímulos auditivos, táteis, visuais e vestibulares — redefinindo a relação da criança com o ambiente.

Adelaide ressalta a importância do conhecimento

Compromisso com o Cuidar

Para a coordenação da Seara de Luz, a promoção do evento cumpre uma missão que ultrapassa a assistência básica, atingindo o cerne da evolução humana e comunitária. Adelaide Moraes, Coordenadora de Evangelização da Seara de Luz, ressaltou o compromisso ético e institucional da entidade na escolha e condução de temas tão relevantes.

“Certamente, quem participou vai ter um olhar mais cuidadoso, amoroso e paciente com o autismo. Às vezes, por ignorância, as pessoas julgam e acham que as características do autismo são falta de educação ou de limites”, explicou Adelaide.

A palestra reforçou que a inclusão não é um favor, mas sim um direito de todos. O objetivo final é criar uma comunidade unida pelo respeito, garantindo que toda criança tenha o direito de brincar, aprender e crescer feliz.