Da Reportagem do Diário de Cuiabá: ALECY ALVES

A assistente social Elione Fátima de Almeida Santos, de 68 anos, parece ter nascido com o gene da caridade no DNA.
Começou a servir ao próximo muito jovem, a partir das próprias manifestações espíritas, e hoje lidera uma grande entidade filantrópica.
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A entidade está sediada no bairro Liberdade, na periferia de Cuiabá, e funciona com mais de 20 projetos e serviços permanentes.
Entre os serviços, estão a creche em tempo integral, que atende 80 crianças, e a vila de idosos.
A Vila de Luz, que entrou em funcionamento há dois anos, é o único abrigo de idosos de Mato Grosso com moradias independentes.

As moradias têm sala de estar, quarto, banheiro e varanda. Abrigam, cada uma, dois habitantes.
Os idosos dispõem de assistência gratuita 24h de cuidadores, farmácia, cozinha, cama, mesa e banho.
Cursos de costura, artesanato, cabeleireiro, manicure, violão, horticultura, entre outros, também são ofertados, gratuitamente.
No espaço também funciona um bazar de roupas e artesanatos, uma biblioteca, auditório de eventos, entre outros.
Aos sábados, os voluntários preparam e servem um sopão.
No preparo, o único ingrediente industrializado que entra é o macarrão.
O corretor de imóveis Gustavo Oliveira, 48 anos, é um dos que trabalham no sopão.
Oliveira e toda sua família, a mulher, Milena, e duas filhas, servem como voluntários no instituto.
As famílias cadastradas, cerca de 120 a cada sábado, também recebem uma cesta de verduras, legumes e frutas.
As cestas são montadas a partir de doações levantadas por voluntários no centro atacadista de hortifrutigranjeiros de Cuiabá.
A professora aposentada Solange Doretto, 69 anos, coordena esse projeto, denominado “Saciar”.
Voluntária, ela está à frente do processo de higienização das verduras, legumes e frutas que as famílias carentes levaram para seus lares.
Como líder, Elione estima que, atualmente, dedique 80% do seu tempo ao Seara de Luz.
Os outros 20%, diz que procura dedicar a si à família – marido, filhos e netos.
Mas, contrariando-a, a reportagem do DIÁRIO a viu em outra atividade.
No último sábado, enquanto a acompanhava no Seara de Luz, a viu preocupada com a entrega de doações para uma mulher, que, por pouco, não foi morta pelo do ex-marido.
A casa dela foi parcialmente destruída no incêndio que o homem provocou. A família perdeu roupas, móveis e alimentos.
Elione não conhece a mulher e o instituto não a assiste, mas a urgência e a gravidade do caso a tocaram.
“Temos que entregar o fogão ainda hoje”, dizia ela ao marido, Elton, um dos fundadores do Seara de Luz.
HISTÓRIA – As ações do instituto Seara de Luz começaram muito antes de maio de 2000, ano da instalação no bairro Liberdade.
“Saí com o motorista procurando um lugar para instalar o instituto. Havíamos acabado de perder a sede que tínhamos em outro local”, conta ela.
“Perdemos porque o doador do terreno onde havíamos construído decidiu que queria a área de volta”, recorda ela.
“Chegamos aqui guiados pelos espíritos de luz. Sentimos a energia boa do lugar. Não tinha nada aqui, nem estrada”, relembra.
A primeira ação no local foi o preparo de uma macarrona.
O alimento atraiu a população para uma refeição servida sob barracas de lona.
Depois de passar pelo que Elione define como “prova de fogo”, que foi ter e perder a sede, em um esforço conjunto, compraram um pedaço de terra.
Hoje, para custear os projetos e serviços que, ao ano, consomem mais de R$ 1 milhão, o Seara de Luz vende sacos de lixo, tem “Panetone do Bem”, elabora e apresenta projetos a parceiros como o Judiciário e organizações empresariais, firma convênios e conta com doações e o trabalho dos voluntários.
O Panetone do Bem, por exemplo, já se tornou uma tradição, sendo encampado por empresas que adquirem o produto em grandes quantidades para entregar em confraternizações ou como brindes aos clientes.
“Não fazemos nada sozinhos. Temos muitos parceiros e voluntários, empresas e pessoas que estão conosco há muito tempo”, assinala Elione.
Segundo ela, há voluntários que atuam presencialmente e que emprestam seus conhecimentos à distância.
“Temos voluntários até em outros estados. Como em Curitiba, no Paraná, por exemplo. São profissionais que contribuem elaborando ou na assessoria em projetos”, completa ela.
No site: https://searadeluz.org.br é possível conhecer os projetos e ações sociais.
DATA – O Dia Internacional da Caridade (5) foi instituído em 2012, em Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), para marcar o aniversário da morte de Madre Teresa de Calcutá.
O objetivo era erradicar a pobreza e incentivar o papel do voluntariado e da filantropia em nível mundial.
Madre Teresa de Calcutá ou Santa Teresa de Calcutá é uma religiosa católica albanesa, naturalizada indiana, que viveu entre 1910 e 1997.
As ações da congregação fundada por ela, Missionárias da Caridade, se estenderam pela Índia e outros 140 países.
Sua dedicação aos doentes e ao combate à pobreza a levaram ao prêmio Nobel da Paz, em 1979, e à canonização, pelo Papa Francisco, em 2016.